Estudo da ABES-SP, com base em dados da UNICEF e OMS (JMP), simula desempenho dos 48 países da Copa a partir de indicadores de saneamento básico.
Se os critérios de classificação de uma Copa do Mundo fossem definidos por indicadores de saneamento básico, o Brasil seria eliminado ainda nas oitavas de final (16 avos), enquanto o Japão conquistaria o título. É o que mostra o estudo “Copa do Mundo do Saneamento”, elaborado pela ABES-SP (Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental – Seção São Paulo), que comparou os índices de acesso à água potável e esgotamento sanitário entre os 48 países participantes do torneio.
O levantamento utiliza dados do Programa de Monitoramento Conjunto (JMP), iniciativa da UNICEF e da Organização Mundial da Saúde (OMS), que reúne estatísticas globais sobre abastecimento de água, higiene e saneamento. O recorte considera como adequadas as condições que incluem, entre outros critérios, ligações domiciliares de água, poços artesianos, sistemas de captação e armazenamento de água da chuva, além de infraestrutura de esgoto com coleta, tratamento e disposição final, ou soluções como fossas sépticas.
Ao reorganizar o chaveamento da competição com base nesses indicadores, o estudo transforma métricas técnicas em narrativa comparativa e expõe desigualdades estruturais entre países. Na simulação, nações com sistemas universalizados de saneamento avançam às fases finais, enquanto países com cobertura parcial ou desigual acabam eliminados precocemente.
Para o especialista da ABES-SP, Álvaro Diogo Teixeira, a iniciativa é importante, em tempos de celebração do esporte, para evidenciar que ainda há bilhões de pessoas no planeta sem acesso à água e ao saneamento.
Embora simbólica, a “Copa do Saneamento” busca chamar atenção para um desafio persistente: o saneamento como determinante direto de qualidade de vida, desenvolvimento humano e redução de desigualdades.












