G9 Saneamento Rural amplia e fortalece horizontes em visita ao modelo SISAR Ceará

Experiência no Ceará destaca a participação das comunidades, a capacitação e a gestão local como elementos fundamentais para a sustentabilidade dos serviços de saneamento rural.

Entre os dias 2 e 4 de setembro, representantes do G9 Saneamento Rural participaram da Missão Técnica organizada pela AESabesp ao Ceará, com o objetivo de conhecer, diretamente nas comunidades, a experiência do Sistema Integrado de Saneamento Rural (SISAR) e seus mecanismos de gestão compartilhada dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário.

Representaram o G9-Saneamento Rural na missão Eliana Boa Ventura, Vania Lucia Rodrigues e Eliana Kitahara, que participaram de encontros com profissionais responsáveis pela gestão do Programa, gestores locais, presidentes de associações e moradores das comunidades atendidas pelos SISARs Sobral e Itapipoca.

A experiência permitiu conhecer de perto um modelo que associa gestão técnica, comercial e social, com forte participação das comunidades na implantação, operação e sustentabilidade dos sistemas.

Uma trajetória iniciada no Vale do Ribeira

A aproximação do G9 Saneamento Rural com o modelo SISAR está relacionada a uma iniciativa que teve início em outubro de 2021, no município de Eldorado, no Vale do Ribeira, em São Paulo.

Naquele período, a Prefeitura da Estância Turística de Eldorado, em atendimento a um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) emitido pelo Ministério Público da Região do Vale do Ribeira, estava implantando sistemas produtores de água em cinco comunidades quilombolas: Galvão, São Pedro, Poça, André Lopes e Pedro Cubas.

A partir da constatação de que “onde há água, é gerado mais esgoto”, o G9 buscou dialogar com autoridades municipais e representantes das comunidades para discutir soluções para o tratamento de esgoto e o manejo dos resíduos sólidos.

Com o apoio estratégico da APU, das instituições envolvidas, foram iniciadas articulações, reuniões, visitas técnicas e atividades de campo, dando origem à proposta de um projeto-piloto de Gestão Compartilhada do Saneamento em Quilombos de Eldorado – Vale do Ribeira/SP.

Desde então, o G9 Saneamento Rural vem desenvolvendo atividades de articulação e capacitação, incluindo visitas técnicas com a participação de lideranças formais e informais quilombolas, que puderam conhecer sistemas de tratamento de esgoto e observar aspectos relacionados à operação e manutenção. A iniciativa busca contribuir para que as próprias comunidades avaliem as possibilidades de assumir atividades rotineiras compatíveis com suas capacidades e realidades locais de forma associativa.

Em parceria estratégica com a APU, também foram promovidos webinares disponibilizados no canal Youtube APU_Saneamento, abordando aspectos jurídicos, metodologias, planejamento, participação das empresas de saneamento, atuação institucional e tecnologias adequadas às especificidades do meio rural.

Reunião em comunidade Itapipoca

Cinco etapas para a gestão compartilhada

Durante a missão ao Ceará, um dos principais aspectos observados pelo G9 foi a estrutura de gestão do SISAR, sintetizada no lema “Água é Vida. Gestão é de Todos”.

O modelo está baseado em cinco etapas:

Mobilização Social: a comunidade participa das decisões;

Capacitação: são formados gestores e operadores locais;

Implantação das obras: a comunidade participa do processo;

Operação: a associação local assume a administração do sistema;

Sustentabilidade: a continuidade dos serviços é apoiada por uma tarifa adequada e pela gestão compartilhada.

As visitas aos sistemas de abastecimento de água e tratamento de esgoto dos SISARs Sobral e Itapipoca possibilitaram observar como esses princípios são aplicados na prática.

Um dos pontos que mais chamou a atenção da equipe foi a participação de moradores das próprias comunidades na operação e manutenção de baixa complexidade. Os operadores locais são escolhidos pela comunidade e passam a exercer papel fundamental na rotina dos sistemas.

Para o G9 Saneamento Rural, essa experiência reforça a importância de desenvolver soluções que considerem não apenas a tecnologia empregada, mas também o engajamento, sensibilização e participação social, capacidade local de gestão e as características territoriais de cada comunidade.

ETA Taquara com sistema Solar instalado

Uma experiência que ultrapassa a visita técnica

A Missão Técnica da AESabesp reuniu profissionais da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Saneamento, da Agência Reguladora, do órgão ambiental do Estado de São Paulo e engenheiros da AESabesp/Sabesp, além dos representantes do G9 Saneamento Rural.

A diversidade de instituições e experiências de São Paulo e do Ceará proporcionou um ambiente de troca e reflexão sobre os caminhos necessários para ampliar o atendimento às populações rurais e contribuir para o alcance das metas de universalização do saneamento rural no Brasil.

Para o G9 Saneamento Rural, a missão representou uma oportunidade de conhecer uma experiência consolidada, dialogar com seus protagonistas e identificar elementos que podem contribuir para a construção de soluções adaptadas à realidade paulista.

Mais do que conhecer sistemas, a equipe teve contato com pessoas, histórias e comunidades que demonstram, na prática, que a sustentabilidade dos serviços depende da combinação entre tecnologia adequada, organização, participação comunitária, capacitação, gestão e compromisso institucional.

Homenagem a Helder Cortez

Reconhecimento e gratidão

Durante a missão, o G9 Saneamento Rural também prestou uma homenagem especial a Helder Cortez, em reconhecimento ao apoio e incentivo à construção dos propósitos do grupo, e entregou placas de agradecimento aos SISARs Sobral e Itapipoca, pela acolhida e pela disposição em compartilhar conhecimentos e experiências.

O G9 Saneamento Rural registra ainda seu agradecimento a Helder Cortez, Sergio Murilo, Monica Bicalho e Dr. Felipe Toé, pela contribuição e pelo compromisso com a construção de caminhos para o saneamento rural no Estado de São Paulo.

A experiência no Ceará fortaleceu uma convicção que vem orientando a trajetória do G9 Saneamento Rural desde sua criação:

A universalização do saneamento rural não depende apenas de obras. Depende de gestão, participação social, soluções adequadas às realidades locais e, principalmente, do envolvimento das comunidades.

Presidente de Itapipoca
Equipe de Gestão SISAR Sobral

 

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